Ter ou viver?


Recentemente li um artigo (ou foi uma reportagem... não tenho certeza) que avaliava a diferença entre pessoas felizes e não felizes após os 50 anos de idade e para supresa (¬¬) geral da nação... constatou-se que o acúmulo de bens não foi o principal fator determinante do estado de espírito, mas sim, as boas lembranças.

Ainda estou longe dos 50, mas eu já sabia disso. Não sou mais rápida que o autor da referida publicação, nem mais esperta que os cientistas que embasaram suas afirmações, muito menos fui rica a ponto de ter sido objeto da pesquisa.

Apenas já acumulei e gastei. Pouco, mas tudo. E me confiei no crédito do que estava por ser depositado para pagar uma experiência. Claro, com a vantagem de sempre ter alguém que me sustentasse caso a poupança fosse de fato meu maior motivo para sorrir ^-^

Então parece que estou na turma dos que escolheram viver. Vinculado a um ter, obviamente, mas não fazendo deste segundo verbo a razão primordial de uma existência.

Eu ando muito pensativa com relação ao que devo definir como objetivo de vida para continuar sendo feliz sabe... Tenho receio de construir um castelo de areia achando que um dia poderei morar nele.

Mas eu acho mesmo... é que eu tenho tentado me convencer de que todas as viagens, idas ao cinema, ao teatro, ao barzinho, despedidas, aniversários, baladas, super refeições e shows internacionais desfrutados em 2010 não foram só mais um capricho.

Você também escuta os sininhos?


Novembro já é sinônimo de Dezembro. Há uma impressionante atmosfera trazida pelo meses cuja escrita finaliza em 'bro'. É como se fôssemos obrigados a entrar em contagem regressiva e a diminuir as horas do dia. Tanto é o frenesi de fim de ano que o Reveillon resume-se a um flash. Um dilema para o solstício de verão.

Talvez por isso esperamos ter a foto perfeita para iniciar cada novo ano. E até o momento da pose chegar, teremos que ter perdido os quilinhos a mais, feito plástica, arrumado a casa e o cabelo, trocado de carro e de emprego, feito a viagem dos sonhos, noivado, casado, separado, batizado, passado no vestibular, se matriculado na academia e ter quitado todas as dívidas. Impossível! Um dilema administrativo-financeiro.

O contrário só se consegue com planejamento beeem prévio e muuuita atitude. Dois artifícios que não costumam estar presentes - nas referidas intensidades - em uma mesma pessoa. O que nos faz, todos, fiéis seguidores da nossa própria 'paranóia', que na forma policamente correta temos chamado de 'cultura'. Um dilema social.

Somente se eu fosse uma fadinha conseguiria resolver os três dilemas há esta altura do ano. Mas eu não tenho asinhas, nem sou loirinha ou pequenininha. Dilema pessoal.

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