Como assim...especial?

Ao que parece, minha inspiração não foge à regra dos que costumam escrever como uma forma de catarse; aparece nos momentos de incômodo com alguma situação. Incômodo causado por sentimentos positivos ou negativos, que aparecem repentinamente, sem que sejam desejados ou que são cultivados durante anos até que chegam ao limite do clausuro suportável. Eu sou normal.

Mas porque algumas palavras, ou atitudes, frutos de reações não sobrehumanas ganham proporções globais e levam junto com sua publicidade a imagem do autor ao patamar de estrela? Então algum comentário de admirador diria: são palavras especiais, ou simplesmente, isso vem de uma pessoa especial.

Mas como assim... especial? se são todas efeito de aspectos comuns a qualquer espécime humano e podem ser fruto da mente de qualquer um? com a leve diferença de que foram bem colocados.

Eu me nego, por esta avaliação e por outras, aceitar que qualquer ser humano seja especial. Ao meu entender, ou somos todos especiais, ou ninguém o é. O número de empatias alcançado é que torna as ações corriqueiras em sensações especiais.

A propósito, a nomenclatura de ser "especial" tem ganhado emprego de formas tão não adequadas, que, além de perder seu sentido diferenciador, tem feito um desserviço a humanidade. Passamos a chamar as pessoas com algum tipo de deficiência de especiais e ao tempo que o fazemos, consideramos as demais, que possuem o mais valioso bem humano depois da própria vida (a saúde) de não especiais. Milhões de pessoas têm perfeita saúde física e mental, mas não por isso serão especiais. Certas pessoas precisam de cuidados especiais!

Passamos a chamar as pessoas que por algum motivo ganharam destaque na mídia pela simples beleza física de especiais e com isso, todo o resto da humanidade deformada não será mais especial. Passamos a chamar as pessoas que ganharam ou juntaram muito dinheiro de especiais, e logo então, consideramos cada pobre ou mediano não dignos de especialidade.

Passamos a admirar as pessoas que enfrentaram algum revés inimaginável em suas vidas e as temos como especiais, quase sempre como uma forma de guru, mas perdemos a capacidade de enxergar nossos próprios revezes e as infinitas oportunidades de superá-los. Se alguém for atingido ocasionalmente pela atenção coletiva se torna especial, pelo simples fato de o ter sido: ser um meme já pode ser considerado especial.

A denominação "especial" é uma instituição humana, claramente humana, porque se fosse divina, cada mensageiro divino (ou profeta, se preferir) teria se auto-denominado especial, ou mesmo o próprio Deus faria entender que assim funciona a raça humana, os especiais merecem tudo e aos que não são, resta a resiliência, ou ainda, o fardo.

Mas, ao meu ver, não foi isso que Ele deixou a entender, lembrando que a interpretação dos textos "sagrados" e da vida é livre!

A busca pelo ser "especial" é um tipo de combustível, de estímulo para o homem seguir em frente e também um referencial de sucesso: se me torno, de alguma forma especial (principalmente pelas formas já mencionadas) tive sucesso na vida e posso morrer com orgulho, ou melhor, posso deixar uma marca da minha trajetória que me torna "imortal", pela perpetuação da minha imagem.

Onde foram parar as formas particularmente honradas de se viver
? Terminam nos quase esquecidos contos da vovó ou numa lápide mal talhadaEntramos em um turbilhão tão insano pela busca do especial que quase todo esforço pelo sucesso transforma qualquer valor moral em mercadoria de prateleira. BBB ou ex-BBB é mais especial que uma pessoa que aparece no jornal do meio dia protestando pelos direitos coletivos. Ex-presidiário cantor é mais especial que um ativista ambiental, que por sua vez é mais especil que o jardineiro do meu condomínio. Ganhador do Prêmio Nobel de Física é mais especial que todo e qualquer professor de física do ensino médio que tenha ajudado 100 alunos por ano a passar no vestibular. Político é mais especial que a própria população, político-ex-esportista ou ex-artista é mais especial que um político de carreira; juíz é mais especial que a Lei; jornalista é mais importante que a notícia; médico é mais especial que enfermeiro; quem consegue falar é sempre mais especial do que quem consegue, de fato, resolver.

Pra que ser especial
? Não bastaria um cartão de namoro, ou uma mensagem fonada dos pais, ou scrap de um amigo, um torpedo de um irmão; as palmas na apresentação do colégio, a nota 10 na prova da universidade, o aperto de mão do seu chefe, um sorriso de alguém que reconheceu seu favorNão bastaria ser especial em algum momento sincero, para alguma pessoa que se considere importante na própria vida, para tornar o sentido da mesma mais digesto? Ou com isso buscamos só uma justificativa para o fracasso diante da constatação de que nem todo mundo pode ser especial?

Pretty good but not great

E assim se finda 2011. O ano já está acabando mas eu ainda não descobri o que o mesmo quis da minha pessoa.

Tempo passado, tempo cumprido. Sorri, chorei, questionei, aceitei, mudei, mudei novamente, mudei mais um pouquinho... e aqui estou. Pronta para que 2012 não me venha com essa baboseira de que o mundo vai acabar, porque se assim fosse, a humanidade sucumbiria sem nenhuma das respostas às grandes perguntas da vida. E eu sucumbiria extremamente irritada por isso.

Talvez 2012 me traga o verdadeiro sentido de 2011, ou mesmo o de 2009, 2008 e os demais anteriores, da minha história e por que não... da história da humanidade.

Deixando o shakespearismo de lado, eu posso sentir as promessas que o Ano Novo sempre representa. Posso sentir o peso mais leve do ano que está acabando. Como se finalmente eu tivesse achado a gaveta certa para as documentações correlatas. Enfim, arquivadas. Pedaços de um projeto que foi se desenrolando com e sem muitas variáveis previstas. E agora que estão em ordem cronológica e alfabética, anexados às respectivas imagens, fotos, sons, texturas e aromas, posso resgatá-los à medida que me fizerem falta, ou simplesmente aprisioná-los, quando me for conveniente.

Entre tantos desejos de realização para o ano que vem, um me fez perceber que devo ser mais firme quando decidir ser o que quero ser: mais pró-atividade social. Digamos que eu já domine a habilidade no trabalho, em casa, em família. O que não seria novidade para ambientes onde a cobrança é direta e explícita. Mas me falta saber agir no imediato quando alguma injustiça se faz em minha presença. Talvez eu já esteja em um nível bom, mas o excelente existe e eu com certeza não estou perto dele. Não falo de ações filantrópicas, mas de ações cidadãs.

Não quero trazer para casa as indignações das filas, dos atrasos, das desistências, das rejeições, dos preconceitos, dos enganos, das corrupções, e desabafar com o espelho do elevador social sobre o quanto o mundo está errado. Quero retocar meu batom comentando com a minha própria imagem sobre algum feito: e ache bom! ostentando um merecido auto-reconhecimento de alguém que não deixou passar em brancas nuvens as imperfeições humanas no convívio social. Nem mesmo as próprias.  

Doce Novembro

Novembro tem o leve encanto dos meses que terminam em "bro". Tem cheiro de protetor solar, cheiro de cabeça de bebê que acabou de sair do banho, cheiro de coisa nova.

Novembro tem jeito de planos novos, de orçamentos espalhados sobre a mesa e de enfeites de Natal. A ânsia deste mês me parece mais forte do que a do mês subsequente.

Novembro traz o sentimento de que o ano está terminando e que precisamos correr para não perder as oportunidades. Dezembro é o ano que já acabou, é tempo de deixar o Sol bater, sem muita relutância contra os efeitos que possa causar, sem o pique de querer ser o primeiro, até porque o que tinha que ser feito já deveria estar em processo.

A trilha sonora oficial para Novembro poderia ser Anunciação, de Alceu Valença.

Mas Novembro acabou e foi doce enquanto durou. Planeje logo suas férias para que o peso de um Dezembro sem feriados no meio da semana não te sufoque com as responsabilidades e rotinas que já nos são por demais presentes.  

Um lugar ao Sol

O que podemos fazer para conseguir um lugar ao Sol quando o céu está encoberto?

a) montamos nosso guarda-sol e cadeira assim mesmo, para garantir o lugar sentado 
b) fazemos promessa para Stº Pedro regular o brilho da imagem
c) passamos a ser adeptos do banho de Lua
d) lançamos a moda do branquinho desbotado
e) espalhamos um spam na rede sobre os malefícios do Sol
f) tornamos o Sol o inimigo público número 1
g) arrendamos o espaço que já conseguimos a alguém que tenha paciência para esperar
h) lançamos um livro com as memórias sobre os tempos ensolarados
i) dançamos a dança do Sol
j) procuramos um lugar nas clínicas de estética que forneçam raios equivalentes
k) passamos a usar muita maquiagem para que os outros pensem que o garantimos
l) todas as alternativas acima, o que vale é tentar
m) nenhuma das alternativas acima, você só consegue quando ele quer mesmo       

O mundo de batata

Eu adoro comer batatas. Fritas, cozidas, assadas, em purê... Mas antes de apreciar a iguaria é preciso, na maior parte das receitas, descascá-la. Certo.

O modo menos trabalhoso que encontrei para fazê-lo é escaldá-las e ainda em alta temperatura puxar a casca, como uma pele que se descama.

Eu sempre pensava neste processo antes de escolher o prato do dia e torcia para que na geladeira houvessem mais batatas grandes que pequenas. As maiores, se cortadas em pedaços, geram mais rodelas do que as menores, que por sua vez, são possíveis de serem partidas somente ao meio, gerando duas pontas. As pontas são mais complicadas. Possuem arestas, brotos e curvatura peculiares, de difícil manipulação.

O que ocorria como um hábito, passou a sofrer uma sutil mudança. Em lugar das rodelas, passei a preferir descascar as pontas. Através de uma técnica menos trabalhosa ainda. Com a ajuda de um pano de prato umedecido, puxo a casca das pontas de uma só vez, como que ao movimentar um pequeno cobertor. E desde então, torço pela frequência das batatas menores.

Mas o que aconteceu ainda não sei dizer. A nova técnica surgiu para que todas as batatas fossem descascadas com menos labor?; a frequência das batatas maiores realmente mudou?; o equilíbrio entre as frequências nunca mudou?; quanto mais prazer se tem ao objeto final, mais estratégias são articuladas pelo cérebro para alcançá-lo?; tudo é uma questão de costume?; quando somente você pode fazê-lo, encontrará sempre a melhor forma?; não houve alterações relativas ao processo, mas à percepção?; quando iniciado pela parte mais comiplicada o trabalho segue com menor pesar ?

Seja qual for a resposta, qualquer batata vale apena ser descascada; desde que não lhes queime as mãos.  

Entendendo o jornalismo

A gente finge que vê
Eu já disse que não quero e nem preciso entender tudo de tudo? Digo agora:

Eu não preciso entender porque se separaram, nem como foi o processo de divórcio; não preciso entender porque as guerras começaram, só como vão acabar; nem preciso entender como o fenômeno climático-financeiro surgiu, só qual vai ser a solução; muito menos preciso entender a reação química que resultou na entoxicação de fulano, nem qual foi a pena imposta a ciclano. Nada me acrescenta saber quais são os casais famosos, o que fazem ou quem processaram; nem me agrada saber que a pele de todas as celebridades sobre a face da Terra são perfeitas, mesmo que à luz dos programas de edição de imagem.

Eu preciso de fatos, só. Opinião, aceitavelmente, de um expert no assunto. Mas no assunto do fato, e não da pessoa (personagem).

Será que as matérias de psicologia estão pesando mais do que as de redação nas faculdades de jornalismo? Porque eu vejo mais manipuladores de opinião do que informadores. Ou são estes parte de mais uma classe vítima do mercado da notícia?

Minha esperança era que o próximo passo do jornalismo, em escala mundial, se tornasse a porta primeira para a interação e com isso, para a verdadeira participação da população na construção da realidade. No meu mundo ideal: eu vejo, escuto e leio fatos, que de fato interferem em nossas vidas e posso utilizar o mesmo canal-fonte como meio de interferir na continuidade da cobertura e possivelmente da situação.

Mas eu só me vejo importunada, por e-mails mala (direta) que insistem em saber minha opinião como endosso ou não de uma pauta que já foi definida. Vejo notícias com área para comentários moderada (sem moderação). Vejo censura interna em veículos que a camuflam sobre o argumento do que é mais interessante $
 

Como cogitei o mundo ideal e possível? Percebi que a própria população circula as informações que interessam nos círculos não midiáticos. Prestemos mais atenção na qualidade do que lemos e façamos com os repórteres, jornalistas, apresentadores, colunistas e radialistas o mesmo que deveríamos fazer com os políticos e prestadores de serviço: controle de audiência.  

A história dos outros

Conta ai...
Descobri um vício: histórias. Mas não qualquer história, as histórias de vida das pessoas e quanto mais ordinárias forem (sem a paráfrase da expressão em baianês) mais interessantes me parecem.

Essa semana escutei histórias de amor, de infância, de novas experiências profissionais, de viagens... e me senti como tendo lido cem livros. Eu adoro ler livros, mas não chega a ser um vício, porque eu não os procuro, eles que me acham; e não chegam a ser uma fuga, mas um complemento ao mundo real em que vivo. Quando quero, sou capaz de esquecê-los, sem o peso da abstinência, basta que outra atividade me ocupe a mente.

Mas eu não consigo escapar das perguntas: mas e o que aconteceu então? e como se conheceram? e depois? a pessoa conta que nem sente que está entregando parte de sua própria vida a mim. É um presente! Eu vivo o que elas viveram em imaginação e as histórias vão se tornando alimento para duas almas ao mesmo tempo.

Só não suporto uma coisa: repetição. Eu gosto de mais, do novo. Não repita uma cena e já terá sucumbido ao esquecimento. A não ser que se trate de uma piada muuuuito boa ;) Eu realmente não tenho talento algum para ser psicóloga.

O esquisito é que nunca me apeguei às biografias. Estas, teoricamente, seriam o encontro de duas paixões, mas não me apetecem. Eu acho que porque centram-se demais no glamour, ainda que de uma vida pacata ou desastrosa e porque evidentemente não me são contadas na particularidade, com as nuances pessoais de sentimento do ator principal.

Se eu for premiada com uma velhice lúcida, já sei qual vai ser meu principal passa-tempo!    

Redes sociais ou mesa de bar?

Uma pessoa puritana diria "mesa de bar", claro ..."pois as verdadeiras e duradouras relações humanas estabelecem-se mediante contato direto, pois a confiança somente se estabelece quando mais de um sentido é utilizado no processo de comunicação". Quer dizer que se um deficiente visual não apertar as mãos de alguém ao dizer "prazer em conhecê-lo" não o conheceu realmente ou será incapaz de confiar neste(a) um dia

Eu diria que um depende do outro e creio em algo mais do que trocas de mensagens e interação dos sentidos para mover uma pessoa em direção a outra(s): a interpretação. E para fazê-la, não precisamos de mais do que algumas informações. Eu diria que não preciso nem de imagens. Amigos, colegas ou conhecidos surgem e se aproximam ao acaso, mas continuar uma relação é sempre uma decisão. Neste cenário, rede social ou mesa de bar tornam-se a mesma coisa. Reservadas a cada situação suas respectivas vantagens e desvantagens. Eu posso sentar em uma lanchonete com minhas amigas e abrir meu smartfone para conversar com estranhos e dar mais atenção a estes últimos. Pode parecer cruel se analisado do ponto de vista da comunicação mediada, mas somos perfeitamente capazes de fazê-lo e de não aceitá-lo como tal, porque julgamos a nossa presença física preciosa demais para ser comparada a um punhado de letras ou a imagens digitalizadas.

A gente só olha para quem nos interessar, só escuta (ou lê) com antena seletiva ligada, responde por algo em troca ou por educação, fazemos pose para construir nossa imagem, mantemos os mesmos níveis de conhecimento intelectual seja qual for a conversa, continuamos o contato ao sabor do nosso próprio humor.

O fato de estar em uma comunidade virtual fechada hoje traz o mesmo status que ter ido a um lugar exótico ou concorrido. Novas ferramentas de comunicação surgem, mas continuamos os mesmos. Vaidade, preguiça, soberba, ganância, sarcasmo, egocentrismo e ambição não são pecados, são aspectos humanos, inatos. Sentar em uma mesa de bar e olhar para alguém não me faz mais próxima, mais sincera ou mais cúmplice. Até porque se eu baixar músicas na Internet, eu compartilho e apoio uma atitude ilegal de pessoas com quem nunca manterei um contato físico. Mas está no "contrato social" que a sua rotina define seu rótulo e eu acredito que a maior parte ainda prefira o de "descontraído" ao de "tímido" ou "caseiro".

Quando alguém falar demais sobre o trabalho ou repetir seus feitos a todo instante, vez em quando me cututar para manter minha atenção, ficar incansavelmente compartilhando as melhores histórias da Internet, ou ainda fizer um discurso depressivo para angariar a autopiedade que não consegue manter sozinho... vou considerar que está na hora de pedir a conta e voltar pra casa. Afinal, eu preciso decidir com quem e em que lugar(es) quero estar, seja fora ou dentro da redes sociais.       

Deixa eu amarrar meu jegue

Acordar no Brasil, em pleno 7 de setembro, é lembrar que buscamos sempre a Independência. Não restritamente àquela que se define pelo fato de desassociação mas à outra que remete até mesmo ao extremo oposto.

Somos movidos pela ânsia de termos um país independente de outro(s), um Estado economicamente independente dos demais, uma cidade independente da religião, um bairro independente do centro comercial, uma rua independente do tráfego das principais vias, uma morada independente do barulho dos vizinhos, um quarto independente dos irmãos, uma cama independente das visitas, um sonho independente do que o mundo nos possibilite.

Eu só queria ser independente e estar dependente de tudo a que escolhi na minha vida por pura escolha. Simples assim. Mas a natureza humana não é independente, do ambiente, da sociedade, nem dela mesma. Eu dependo dos outros até para definir o que de fato eu quero, então essa coisa de comemorar a Independência, seja lá do que ou de quem for é uma ilusão. Mais uma ideia implantada na nossa mente, explorada pelo mercado publicitário e consequentemente pela história.

Nossos ex-líderes, ex-chefes, ex-empregos, ex-companheiros, ex-lares, ex-vícios, ex-colonizadores, ex-religião, ex-locatários, ex-empregados, o que quer que fossem! são os verdadeiros responsáveis pela nossa proclamada independência. E se algum dia nos imbuímos de ânimo ou coragem para deixar algum lugar, alguma coisa ou alguém foi porque esta outra parte nos fez ultrapassar o limite do suportável.

Eu não desejo INdependência alguma, desejo DEpendências, fortes e urgentes, que me façam apreciar o que eu sou e aquietar, na maior parte do tempo, essa vontade insana de me livrar de algum aspecto da minha vida.

A volta para casa

A maça de Newton também caiu sobre a minha cabeça
Neste momento, precisei me separar mais uma vez da minha mãe e do meu irmão, eles tiveram que pegar um voo diferente na volta para o Brasil. Do Aeroporto de Frankfurt, Alemanha, esperei longas 24 horas até chegar na minha primeira casa, em Salvador, Bahia, Brasil. Fui inundada por sentimentos contraditórios. Deixei pequenos pedaços de mim por aí, e conforme me lembrava deles tinha vontade de resgatá-los, mas sentia saudades de casa também.

O que se faz quando a raíz te chama e as sementes que voaram também?

Agora eu quero muito mais para a minha vida do que a vida que eu tinha antes de partir.

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